quarta-feira, 4 de março de 2009

" O crime do padre Amaro " - Eça de Queirós


" Amaro achava aquelas unhas admiráveis porque tudo o que era ela ou vinha dela lhe parecia perfeito: gostava da cor dos seus vestidos, do seu andar, do modo de passar os dedos pelos cabelos, e olhava até com ternura para as saias brancas que ela punha a secar á janela do seu quarto, enfiadas numa cana. Nunca estivera assim na intimidade duma mulher. Quando percebia a porta do quarto dela entreaberta, ia resvalar para dentro olhares gulosos, como para prespectivas dum paraíso: um saiote pendurado, uma meia estendida, uma liga que ficara sobre o baú, eram revelações da sua nudez, que lhe faziam cerrar os dentes, todo pálido. E não se saciava de a ver falar, rir, andar com as suas saias muito engomadas que batiam nas ombreiras das portas estreitas. (...) e só pensava então na doçura infinita de lhe dar um beijo na brancura do pescoço, ou mordiscar-lhe a orelhinha "

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